Declaração da CFO da Microsoft expõe estratégia financeira e o pivô para longe dos consoles

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A estratégia financeira sem filtros do Xbox: Lucro acima do console.

PRA RESUMIR

  • A Microsoft trata o Xbox como uma "entidade independente" sob intensa pressão da CFO Amy Hood para atingir metas de lucro operacional.
  • A estratégia de longo prazo do Xbox é se "afastar" do hardware exclusivo e focar na distribuição de software em múltiplas plataformas, como no modelo do Minecraft.
  • A principal "justificativa estratégica" para a aquisição da Activision Blizzard foi sua forte presença no mobile (a maior fonte de receita da indústria)

Um documento legal da Diretora Financeira da Microsoft, Amy Hood, oferece uma visão sem filtros da realidade empresarial por trás da marca Xbox. A declaração, parte do caso da FTC contra a aquisição da Activision Blizzard, detalha como o Xbox é gerenciado com rédeas financeiras curtas e por que seu futuro estratégico está cada vez mais focado em software multiplataforma e jogos mobile, em vez da tradicional guerra de consoles.

A análise fria de Hood revela que o Xbox opera sob intensa pressão para atingir metas de lucratividade, levando a decisões de negócios difíceis, incluindo o controle deliberado do fornecimento de hardware.

Xbox como uma "entidade independente" sob pressão

De acordo com Hood, o Xbox (às vezes chamado de negócio de "Gaming" da Microsoft) é tratado como uma "entidade independente para fins de responsabilidade financeira". Como CFO, Hood estabelece metas financeiras anuais para o Xbox, incluindo um alvo de receita e um alvo de "lucro operacional". O Xbox é diretamente responsável perante ela e o CEO Satya Nadella por atingir essas metas.

Historicamente, o Xbox tem apresentado uma margem operacional "mais baixa do que as outras linhas de negócios da Microsoft", que têm uma margem de aproximadamente 40%. Além disso, com $16,23 bilhões em receita no ano fiscal de 2022, o Xbox é uma linha de negócios "relativamente pequena" dentro da Microsoft, cuja receita total foi de $198,27 bilhões.

Essa pressão para aumentar a margem de lucro é o motor central da estratégia do Xbox.

O problema do subsídio: "embarcar menos consoles" como corte de custo

O ponto mais explosivo da declaração de Hood está no parágrafo 8. Ela detalha as "alavancas" que a liderança do Xbox deve puxar para atingir suas metas financeiras: "aumentar a receita ou cortar custos".

Hood afirma abertamente que, ao longo dos anos, a liderança do Xbox teve que tomar medidas drásticas para cumprir suas metas, incluindo "executar cortes orçamentários, demitir funcionários, embarcar menos consoles, fechar estúdios, pausar ou reduzir investimentos futuros em alguns projetos e fazer cortes em marketing".

A razão para "embarcar menos consoles" ser uma medida de corte de custos é explicada sem rodeios na nota de rodapé 4: "Os consoles Xbox são subsidiados, o que significa que são vendidos com prejuízo".

A declaração cita um e-mail de março de 2020 onde a própria Amy Hood propôs "restringir o fornecimento de consoles" como uma opção para lidar com a questão de quanto a Microsoft deveria subsidiá-los. Em uma teleconferência de resultados de outubro de 2020, ela também confirmou um "impacto negativo na margem bruta das vendas de consoles".

Esses pontos confirmam que o fornecimento limitado de hardware não é apenas uma questão de cadeia de suprimentos, mas uma decisão de negócios deliberada para gerenciar as perdas e atingir as metas de lucratividade trimestrais e anuais impostas à divisão.

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A estratégia "Minecraft": O futuro é multiplataforma

Diante da dificuldade em gerar lucro com hardware, Hood afirma que a estratégia de longo prazo do Xbox é clara. Para ter sucesso financeiro, o "Xbox deve disponibilizar mais jogos em mais plataformas".

A declaração detalha um movimento estratégico para "se afastar de estar vinculado a hardware exclusivo (consoles Xbox) em direção a uma distribuição mais ampla de seu software (jogos)". O "exemplo perfeito" dessa estratégia é o Minecraft, um jogo multiplataforma adquirido pela Microsoft em 2014 que está disponível "em todos os consoles, em PCs e em telefones iOS e Android".

A verdadeira razão da aquisição da Activision: Mobile

Esse pivô estratégico para longe do hardware exclusivo é, segundo Hood, a principal razão para a aquisição da Activision Blizzard por $68,7 bilhões.

A "justificativa estratégica" para o acordo foi a "presença da Activision em múltiplas plataformas, particularmente no celular". A Microsoft vinha buscando ativamente expandir para os mercados de jogos para PC e mobile, tendo inclusive considerado a aquisição da desenvolvedora de jogos mobile Zynga.

Em uma apresentação ao Conselho da Microsoft em dezembro de 2021, a equipe de Hood destacou que, dos $210 bilhões em receitas da indústria de jogos em 2020, $113 bilhões vieram de jogos mobile. O documento também mostrou que os ativos de PC e mobile da Activision (Blizzard e King, com jogos como World of Warcraft e Candy Crush) geram "mais receita e mais que o dobro da média de usuários mensais" do que os ativos de console da Activision (como Call of Duty).

O fim da exclusividade: O valor de Call of Duty

Alinhado com a estratégia multiplataforma, o documento de Hood desmente a ideia de que Call of Duty se tornaria um exclusivo do Xbox.

A CFO afirma que o modelo financeiro e a avaliação de $68,7 bilhões da Activision dependiam de um "componente essencial": as "vendas futuras totais... do conteúdo da Activision em todas as plataformas, incluindo vendas contínuas de Call of Duty no PlayStation da Sony".

Hood é categórica ao afirmar que a possibilidade de tornar Call of Duty exclusivo "nunca foi avaliada ou discutida" com ela ou com o Conselho de Administração. A lógica financeira, conclui ela, está alinhada para "tornar os jogos da Activision mais amplamente disponíveis, não menos".

Em suma, a declaração de Amy Hood pinta o quadro de um negócio Xbox que não é medido pelo número de consoles vendidos, mas por sua capacidade de gerar lucro operacional. Com o hardware sendo vendido com prejuízo, a Microsoft deliberadamente conteve seu crescimento para cortar custos, enquanto aposta seu futuro – e $68,7 bilhões – na lucrativa arena multiplataforma e mobile.

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Rafael Bastos
ORafaJoga
Um geek e entusiasta da tecnologia, apaixonado por games e cultura pop!

 

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