Música, poesia e desafio se encontram em um dos jogos indie mais cativantes do ano.
Antes da análise, gostaria de direcionar os meus agradecimentos ao pessoal da GameWire e à equipe Buffalo Buffalo que me concederam a oportunidade de jogar Fresh Tracks.

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Versão: PlayStation 5
Data de lançamento: 26 de agosto de 2025 Plataformas: PC, Xbox Series e PlayStation 5 Desenvolvedor: Buffalo Buffalo Distribuidor: Buffalo Buffalo Gênero: Roguelite, Rítmico |
Coloquem seus fones de ouvido, sentem-se e apreciem o mais novo jogo da desenvolvedora indie Buffalo Buffalo Labs INC. Fresh Tracks acaba de ser lançado e foi uma ótima surpresa para o ano de 2025. O jogo conta com uma trilha sonora rica que mistura rock, pop e música eletrônica, casando-se perfeitamente com a gameplay rítmica e viciante.
História: poesia que ganha vida
Apesar do game não possuir foco na sua história, a mesma não é deixada de lado. Ela serve bem para o que os devs queriam nos contar. O jogo aborda o tema de story-songs, que são basicamente poemas.
No início nos são apresentados os “míticos”, seres criados a partir dos sentimentos que um poema transmite. Cada mítico representa uma faceta da poesia:
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Sogvar, com seus versos sobre heróis e histórias épicas
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Koda, a voz da inspiração
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Fras & Dram, que representam a dualidade da alegria e da angústia
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Mar, a rainha do terror e grande vilã do game
Após eras compondo versos e estrofes, a poesia de Norwyn — país fictício usado de ambientação para o jogo — começa a se tornar vazia, melancólica e sem vida. Então, como um raio de esperança, Koda se une ao campeão Skai para revitalizar os míticos e sua inspiração.

Gameplay: desafio constante e fator replay
Decidi colocar este tópico logo após a história, pois ela encaixa perfeitamente. O jogo se assemelha a títulos como Subway Surfers nesse quesito. Durante a gameplay, realizamos ações simples, porém desafiadoras quando combinadas: trocar de faixa, pular, abaixar, esquivar, atacar e usar poderes específicos de cada arma encontrada.
Parece simples, certo? Errado! O jogo faz questão de, a todo momento, desafiar o jogador, ensiná-lo com seus erros e forçá-lo a memorizar o caminho.
A cada nova fase, o jogo oferece opções de rotas musicais: geralmente três (fácil, médio e difícil), mas às vezes aparecem rotas no nível expert, cada uma oferecendo vantagens específicas. Cabe ao player decidir a melhor opção para cada run.
À medida que avançamos, trazemos os míticos para o nosso time, e cada um narra nossa história com poemas. Eles podem ser selecionados no menu antes da jogada, criando um fator replay muito interessante, já que cada mítico tem vantagens e personalidade únicas.


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Gráficos e visuais: simplicidade que confunde
Aqui o jogo perde alguns pontos — não pela falta de qualidade ou beleza, já que os visuais são simples, mas competentes — mas porque em algumas rotas, elementos do cenário possuem cores que confundem o jogador.
Muitas vezes não conseguimos enxergar um obstáculo atrás de inimigos, o que resulta em perda de pontos de vida e frustração.


Qualidade técnica: pequenos problemas, grande impacto
Outro ponto negativo está na qualidade técnica. Durante minha experiência, ocorreram pequenos travamentos. Pode parecer mínimo, mas em um jogo de ritmo, isso causa um impacto enorme. Diversas vezes, morri por conta desses micros travamentos.
Felizmente, este foi o único problema encontrado durante o tempo jogado.
NOTA GERAL
8
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Ramon
Hardt
Sou apaixonado por jogos desafiadores e jogos de luta, meu objetivo sempre é aproveitar ao máximo o que eu estou jogando
Quando a música vira arma contra a opressão.

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Versão: PC (Steam Deck)
Data de lançamento: 27 de junho de 2025 (PC) Plataformas: PC, Xbox Series e PlayStation 5 Desenvolvedor: Gatera Studio Distribuidor: Selecta Play, Astrolabe Games Gênero: Plataforma |
Imagine um mundo enterrado sob as ruínas do passado, onde a arte é proibida, a música foi silenciada e a vida se resume a obedecer. Um lugar governado por corporações e regimes autoritários que controlam cada batida do coração da sociedade. Esse é o cenário de ANTRO — um jogo que não apenas se joga, mas se sente.
Recebi o título para análise através dos amigos do portal Patobah, em parceria, e mergulhei em uma experiência que mistura crítica social, política e reflexões profundas. Nesse universo distópico, somos apresentados a Nittch, um entregador solitário e niilista que vive nos estratos mais baixos de uma vasta metrópole subterrânea.

Sua missão, aparentemente simples, é entregar um pacote a um destinatário desconhecido. No entanto, essa tarefa se transforma em uma jornada que o força a confrontar o regime opressor de “La Cúpula” — a corporação que comanda a sociedade com mão de ferro — e a se juntar aos “Los Discordantes”, um grupo de rebeldes que usa a música como sua principal forma de resistência.
Gameplay/Jogabilidade
A narrativa é densa, abordando temas como desigualdade, opressão e o poder sufocante das grandes corporações. O grande mérito de ANTRO é não se limitar ao discurso: ele traduz essa atmosfera em sua jogabilidade fluida e desafiadora, que combina elementos de plataforma com ação rítmica em perfeita sintonia com uma trilha sonora espetacular.
E sim, a trilha sonora é um show à parte. Cada passo, salto ou fuga está atrelado ao pulso da música, tornando a experiência extremamente visceral.
É uma jornada curta, mas marcante. Os diálogos e a ambientação nos fazem refletir sobre liberdade, resistência e o papel da arte em tempos de repressão. ANTRO é, ao mesmo tempo, entretenimento e manifesto — uma lembrança de que, até nos lugares mais sombrios, o ritmo da revolução pode ecoar.

No coração de ANTRO, a jogabilidade se destaca por sua fusão única entre plataforma 2D e ação rítmica. A mecânica de movimento é fluida e precisa, crucial para navegar pelos ambientes opressivos do jogo. O jogador salta, desliza e corre em sincronia com a música, e essa conexão entre o que se ouve e o que se faz é a grande sacada do título.
Em momentos de perseguição, por exemplo, o ritmo da batida não é apenas um adorno, mas um guia que dita o tempo dos movimentos e cria uma tensão palpável.
Visualmente, o jogo opta por uma estética minimalista em tons de cinza, pontuada por efeitos de luz que capturam a atmosfera melancólica de um mundo onde a arte é proibida. Embora a direção de arte seja intencional e reforce o tema da opressão, a repetição de texturas e cenários pode tornar a experiência visualmente monótona para alguns jogadores.
A trilha sonora, como já mencionado, é a espinha dorsal de ANTRO. A música não é apenas um pano de fundo, mas um personagem em si, moldando o ritmo da jogabilidade e comunicando as emoções da jornada.
As composições, que variam entre batidas eletrônicas e melodias melancólicas, adaptam-se a cada momento — seja em um desafio de plataforma intenso ou em um instante de exploração silenciosa.
Entretanto, nem tudo em ANTRO é perfeitamente polido. A narrativa, embora rica em seu conceito, poderia ter sido mais aprofundada. Os diálogos são curtos, os personagens carecem de desenvolvimento e o enredo, por mais que tenha potencial, é apresentado de forma superficial.
Os desafios, embora interessantes, não oferecem uma curva de dificuldade consistente, e alguns picos podem parecer injustos. Além disso, a curta duração do jogo deixa a sensação de que havia muito mais a ser explorado.

Apesar dessas falhas, a maneira como ANTRO integra seus elementos é o que o torna especial. É um jogo que sabe exatamente o que quer ser: uma experiência que usa sua arte e seu som para entregar uma mensagem poderosa.
Uma experiência audaciosa que brilha por sua trilha sonora poderosa, sua ambientação distópica e sua integração rítmica entre som e ação.
Para quem é fã de jogos que misturam narrativa e ritmo, ANTRO pode lembrar a precisão de Crypt of the NecroDancer ou a jornada emocional de títulos como Gris, embora com uma pegada política mais explícita.
Ele se encaixa em uma safra de jogos indie que usam a jogabilidade para contar uma história, assim como Inside ou Limbo, mas se diferencia ao colocar a música não como um complemento, e sim como o motor central da experiência.
É interessante notar a colaboração por trás do jogo: o desenvolvimento ficou a cargo do estúdio Gatera, de Barcelona, enquanto a publicação foi feita pela Aiyra. Essa parceria mostra como a paixão por criar experiências artísticas e impactantes pode conectar talentos de diferentes partes do mundo, resultando em uma obra com uma mensagem universal.
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ANTRO é para você se:
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Você valoriza jogos com uma forte mensagem artística e social.
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Adora games de plataforma que exigem precisão e ritmo.
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Busca uma experiência curta, intensa e memorável.
Pense duas vezes se:
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Você prefere jogos longos, com muito conteúdo e fator de rejogabilidade.
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Narrativas superficiais ou personagens pouco desenvolvidos te frustram.
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Você não é fã de picos de dificuldade que podem parecer injustos.

Conclusão
GRÁFICOS E VISUAIS: 8.0
A direção de arte é coesa e impactante, com uma estética minimalista que captura com sucesso a atmosfera opressora do jogo. A nota não é maior devido à repetição de cenários e texturas, que pode tornar a experiência visual um pouco monótona em alguns momentos.
HISTÓRIA
O jogo apresenta uma premissa conceitual forte e uma crítica social potente. No entanto, a execução da narrativa é superficial, com diálogos curtos e personagens pouco desenvolvidos, deixando a sensação de que um grande potencial não foi totalmente explorado.
SOM E MÚSICA
É a espinha dorsal e o ponto mais alto de ANTRO. A trilha sonora não é apenas um acompanhamento, mas um elemento central da jogabilidade e da narrativa. A forma como a música se integra à ação é visceral, impecável e define toda a experiência.
JOGABILIDADE
A fusão de plataforma 2D com mecânicas de ritmo é criativa e, em seus melhores momentos, muito satisfatória. A nota é penalizada pela curva de dificuldade inconsistente e por picos de desafio que podem parecer frustrantes ou injustos, quebrando o fluxo do jogo.
PARTE TÉCNICA
O jogo apresenta uma experiência geral polida, com controles fluidos e precisos, e ausência de bugs ou problemas de performance que comprometam a jogatina. Cumpre seu papel com competência.
ANTRO é uma experiência memorável e artisticamente audaciosa, elevada por sua trilha sonora genial. Apesar das falhas na profundidade da narrativa e no balanceamento da dificuldade, seu estilo, sua mensagem e seus momentos de brilhantismo rítmico o tornam um título independente altamente recomendável.
ANTRO é uma experiência audaciosa que brilha por sua trilha sonora poderosa, sua ambientação distópica e sua integração rítmica entre som e ação. Quando a proposta funciona — como nas sequências de fuga coreografadas pela batida —, ela gera uma sensação visceral rara em jogos independentes.
Por outro lado, a curta duração, os picos de dificuldade, o visual repetitivo e a narrativa pouco explorada podem frustrar jogadores que buscam profundidade ou um alto fator de rejogabilidade. Ainda assim, para aqueles que valorizam estilo, emoção e mensagem, ANTRO entrega uma experiência memorável e impactante.

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Rafael Bastos
ORafaJoga
Entre diálogos arrastados e combates estratégicos, Triangle Strategy entrega uma experiência de política medieval que divide opiniões.
Antes de começar essa análise, eu gostaria de agradecer à equipe da Patobah que disponibilizou a key do game para que eu pudesse fazer esta análise e pela confiança em mim.
Triangle Strategy foi produzido pela Artdink Corporation e publicado pela Square Enix em 2022 na Steam. Porém, recebeu um porte para consoles da geração atual agora em agosto de 2025, e é esse porte que irei analisar hoje. Trarei aspectos da história, narrativa, gameplay, gráficos e mais.
Começando pela história, em Triangle Strategy vivenciaremos o mundo de Norzelia e acompanharemos o desenrolar de conflitos, artimanhas e politicagem dos reinos Hyzant, que tem como atividade principal a exploração e o comércio de sal; Aesfrost, com seu foco em mineração de ferro; e Glenbrook, um reino que fica na fronteira e tem seu foco no comércio variado.

Durante muitos anos, o ducado de Aesfrost e o estado sagrado de Hyzant viviam em guerra, conhecida como Saltiron War (ou Guerra do Sal e Ferro, em referência ao domínio de cada um sobre seus recursos). Os reinos menores de Glenbrook (conhecidos como as três grandes casas) se viram obrigados a intermediar os conflitos e interesses de cada lado, o que resultou em paz entre os rivais.
Trinta anos depois, conhecemos o protagonista Serenoa Wollfort, um príncipe herdeiro de uma das três casas de Glenbrook, a Casa Wollfort, e sua esposa prometida Frederica, irmã do duque de Aesfrost. Essa união foi estabelecida para formar uma aliança entre as casas, mas, durante a preparação para o casamento e cerimônias, descobrimos um esquema de corrupção do duque de Aesfrost, que acaba desencadeando uma nova guerra contra Glenbrook. Isso traz mais guerras, tramas políticas e um clima que lembra muito a saga de livros Game of Thrones.
Não irei me aprofundar na história para evitar spoilers.

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Narrativa e ritmo do jogo: ambos são arrastados e excessivamente longos. Digo “erroneamente”, pois em mais da metade do jogo não vemos diálogos importantes ou que acrescentem à história. A maioria das conversas é desinteressante e apenas reforça coisas que já percebemos pelas ações dos personagens, o que causa sensação de repetição.
Gameplay e combate: esses foram os elementos que mais me chamaram atenção. O combate segue o modelo tático de Final Fantasy Tactics, porém de forma simplória e menos inovadora. Durante o jogo, temos poucas partes em que realmente controlamos o personagem. Na maior parte do tempo, estamos lendo linhas e mais linhas de diálogos, que infelizmente não possuem localização para PT-BR. De vez em quando, temos momentos de exploração em cidades, onde conversamos com NPCs para conhecer mais da história e coletar itens ao acaso, como poções de vida ou livros que também aprofundam o lore de Norzelia.

Sobre o combate em si, que também acontece raramente (nas primeiras 10 horas jogadas, tive apenas 3 combates), temos o modelo tático já citado. Ele é rápido e simples de aprender, oferecendo três opções de ações: movimentar-se pelo campo (em quadrados que delimitam alcance), atacar inimigos ou usar itens. Algumas peculiaridades interessantes se destacam, como o ataque pelas costas que garante dano crítico e a possibilidade de cercar inimigos, fazendo com que dois personagens ataquem ao mesmo tempo.
Outro ponto é o sistema de votos e argumentação, que define o rumo da história. Durante essas votações, podemos escolher entre duas opções, e os integrantes do grupo têm seus próprios motivos para votar. Nesses momentos, é possível argumentar para que mudem de ideia. No papel, a mecânica parece interessante, mas, na prática, as decisões não mudam muito o curso da trama. Um exemplo é quando um lord oferece uma aliança: após a votação, aceitamos, mas logo ele nos trai. No entanto, cinco minutos depois, o grupo já descobre a traição, o que tira o peso da escolha anterior.

Gráficos e personagens: o estúdio optou pela pixel art no estilo 2D HD (2D misturado com 3D). O resultado é bonito, mas os designs de personagens e a composição do mundo soam genéricos e até esquecíveis. Apesar disso, os personagens têm personalidades interessantes, mas a dublagem em inglês não se encaixa bem. Recomendo jogar com a dublagem japonesa.
Notas finais: apesar de todos os pontos negativos, o jogo não é ruim. Ele é bem feito, não possui bugs e a história é aceitável. Além disso, conta com uma trilha sonora envolvente, que se encaixa bem nas situações. Recomendo para quem gosta de experiências narrativas e temas de política medieval.
NOTA GERAL
6
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Marcos Paulo I. Oliveira
MPIlhaOliveira
The Rogue Prince of Persia é um roguelite fantástico e um trabalho excelente do estúdio Evil Empire. A Ubisoft deixou a série em boas mãos, e o resultado conquista tanto novatos quanto veteranos do gênero.

Poucos gêneros têm crescido tanto na indústria dos videogames nos últimos anos quanto os roguelites. Diferente dos roguelikes mais tradicionais, os roguelites suavizam certas mecânicas e a dificuldade. Habilidades permanecem, armas podem ser forjadas e pontos de habilidade desbloqueados. Além disso, modificadores de dificuldade permitem que jogadores mais ousados personalizem a experiência, aumentando desafios e recompensas. Nesse equilíbrio, The Rogue Prince of Persia se destaca ao agradar diferentes perfis de jogadores sem perder sua essência.
História
A narrativa é direta e envolvente, com execução e roteiro sólidos. Você assume o papel do Príncipe herdeiro do trono da Pérsia, cujo reino foi invadido pelos hunos. Após cair em batalha contra Nogai, líder da tropa inimiga, o protagonista é derrotado e morto. No entanto, uma relíquia mágica em seu pescoço o traz de volta sempre que morre, deixando-o no Oásis, ponto central do jogo.
O início do jogo é envolvente, equilibrando mistério e progressão, sem revelar detalhes cruciais de imediato. Um diário chamado Mapa Mental guia o jogador em seus objetivos até o confronto final contra a Corrupção, uma magia sombria usada pelos hunos que saiu de controle e devastou a terra. Diferente de muitos títulos do gênero, onde a narrativa é apenas acessória, aqui a Evil Empire criou uma história coesa e bem estruturada.

Gráficos e Ambientação
The Rogue Prince of Persia aposta em gráficos estilizados desenhados à mão, que em sua maioria impressionam. Embora alguns planos de fundo — como no bioma do Jardim — pudessem receber mais detalhes, os cenários ainda transmitem atmosfera e identidade. Em contraste, as animações, variedade de inimigos, armas e artes em primeiro plano são visualmente cativantes.
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Som e Música
A trilha sonora é outro ponto forte. A Ubisoft vem acertando nessa área em seus últimos lançamentos, e aqui não é diferente. As músicas combinam instrumentos que remetem à cultura persa com batidas eletrônicas modernas. O destaque vai para o trabalho de Asadi, responsável pela maior parte da trilha, e para os vocais de Xye, que interpreta a belíssima canção tema do jogo. É, sem dúvida, um dos pontos altos da experiência.
Jogabilidade
A jogabilidade é simplesmente impecável. O combate utiliza um sistema fluido com armas principais e secundárias, exigindo estratégia para recarregar energia e balancear ataques. Equipamentos possuem níveis de raridade, podendo ser aprimorados com ferreiros ou adquiridos com vendedores. Além disso, amuletos adicionam efeitos variados, criando combinações únicas a cada tentativa.
O jogo incentiva experimentação: desde um príncipe ágil com adagas envenenadas, até um guerreiro mais lento com machado pesado e alto dano físico. Essa variedade evita a repetição e mantém cada partida empolgante.

A movimentação também é destaque, com o príncipe escalando paredes, executando esquivas acrobáticas e explorando ambientes cheios de armadilhas clássicas da franquia. As lutas contra inimigos e chefes exigem leitura de padrões, mas nunca soam injustas — a frustração vem apenas da falta de habilidade do jogador, não de falhas nos controles.
Os mapas possuem tamanho equilibrado, cheios de recompensas e segredos. Encontrar uma arma rara escondida em uma bifurcação é sempre recompensador. Tecnicamente, o jogo apresentou apenas pequenos problemas, como a música sumindo temporariamente e o já conhecido incômodo do Ubisoft Connect, que causou até um crash em meu console.

Conclusão
The Rogue Prince of Persia é um trabalho excepcional da Evil Empire. A Ubisoft acertou em confiar a franquia ao estúdio, que não só respeitou o legado da série, mas também entregou um título moderno, viciante e acessível.
Disponível desde o lançamento em versão 1.0 nos principais serviços do Xbox e PlayStation, o jogo consegue algo raro: unir qualidade e acessibilidade em uma indústria onde os preços só aumentam. Seja você fã de roguelites ou alguém que nunca experimentou o gênero, este é um jogo que merece toda a sua atenção.

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Bruno Castelar
PSN: Sr-SuaMae
Uma jornada apocalíptica que revela o lado mais humano e devastado do herói.

Pra mim, que sou leitor de quadrinhos há apenas dois anos, sempre acompanhei meus heróis mais pelos desenhos e filmes. Mas esse volume de Velho Logan chega em outro nível: arte, enredo e ritmo estão em um equilíbrio brutal e maravilhoso, do jeito que eu não poderia esperar menos do meu herói favorito.
Bem-vindos a VELHO LOGAN: aqui, a realidade seguiu um rumo totalmente diferente, e nosso carcaju não luta há mais de 50 anos.
O que mais me pegou nesse volume é a ambientação. O mundo do Velho Logan não é só brutal, ele é triste, quebrado e completamente dominado por vilões. Você olha e sente que os heróis não existem mais — os poucos sobreviventes vivem escondidos ou já se foram há muito tempo.
A história começa quase como uma animação, com Logan perdido na floresta, e rapidamente corta para o presente, mostrando-o vivendo como fazendeiro, enquanto relembra acontecimentos sombrios do passado.
Mesmo nessa realidade, a vida do Logan não é simples. Sua paz tem um preço, e circunstâncias da vida de fazendeiro o levam novamente ao conflito, com consequências sérias para sua família.
É nesse momento que um velho amigo, o Gavião Arqueiro, solicita sua ajuda para um serviço de entrega com destino à Nova Babilônia, no outro lado do país. O que parecia uma missão simples se transforma em uma jornada cheia de perigos, que nos mostra como os EUA se tornaram após a morte dos heróis.
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Os pontos altos da história são seus vilões em versões mais cruéis e um país dividido em territórios, como o outrora Abominável, o distrito do Rei do Crime, o território do Dr. Destino em Ohio e a Nova Babilônia, onde reside o presidente Caveira Vermelha.
Além disso, surgem personagens marcantes, como a filha rebelde do Gavião Arqueiro e uma gangue do Motoqueiro Fantasma. Os EUA estão cheios de surpresas nessa terra apocalíptica, e cada encontro mostra o quão brutal e perigoso esse mundo se tornou.
E a arte de Mark Millar e Steve McNiven é simplesmente incrível. Ela consegue instigar o leitor, fazendo você se perguntar: “o que diabos está acontecendo nessa história?”, enquanto transmite todo o peso de um Logan velho, assombrado e quase quebrado.
Não precisamos ver o início nem o fim dessa terra apocalíptica: a HQ nos joga direto no caos da narrativa, contextualizando passado e presente em poucas páginas, de forma brutal e eficiente.
Essa não foi minha primeira leitura de Logan — já devo ter lido essa história duas ou três vezes. Mas ver agora um Wolverine com filhos, e comparar com essa versão que perdeu tudo de maneira tão brutal, mostra como um herói precisa ser maduro e humano ao mesmo tempo.
Velho Logan entrega exatamente isso: um personagem que amadureceu, que sente cada perda e cada luta, e que ainda consegue nos impactar profundamente.
O final em aberto, com uma criança peculiar, só fez eu querer ver mais desse personagem e explorar suas diferentes versões.
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Emanoel Silva
Fantasma
Sou apaixonado por jogos com foco em exploração, e entusiasta do horror cósmico e fã declarado de universos como Warhammer — mas é o futuro sombrio e estilizado do cyberpunk que realmente me ganha.
Sword of the Sea, a nova obra da Giant Squid que mistura velocidade, beleza e narrativa contemplativa em uma experiência única.

Desenvolvido por: Giant Squid
Plataforma utilizada: PlayStation 5 (via assinatura PS Plus Extra)
Data de lançamento: 19/08/2025
Plataformas: Steam, Epic Games Store e PlayStation 5
Em Sword of the Sea, nosso protagonista é um guerreiro que, há muito tempo, estava adormecido junto de seus companheiros. Por ação do destino, ele é revivido para cumprir uma missão importante: libertar o mar, que se tornou escasso e aprisionado por uma entidade maligna, contando apenas com sua espada banhada em magia ancestral.
O mundo desértico precisa ser restaurado, trazendo de volta suas águas, fauna e flora. Na minha opinião, esses elementos são ricos e deslumbrantes, especialmente quando observamos o estilo artístico escolhido pelos desenvolvedores e as cores intensas que contrastam com a paisagem árida e sem vida.
O game apresenta uma narrativa característica da Giant Squid, estúdio conhecido pelo aclamado Abzû. Assim como em seu título anterior, não há uso de diálogos, mas sim ações das personagens e o ambiente ao nosso redor que contam a história. Além disso, a semelhança visual e de design artístico é notável, o que certamente agradará os fãs do estúdio.
O mundo do jogo não serve apenas como cenário, mas também como parte essencial da narrativa. Ele nos guia por meio de enigmas, profecias e artefatos antigos, encontrados em ruínas e puzzles. À medida que avançamos, o ambiente se transforma e se adapta, criando uma dinâmica envolvente e fortalecendo a imersão exploratória.

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Gameplay
É aqui que o jogo mais brilha. Controlamos um guerreiro portador de uma espada mágica, nossa maior aliada durante a jornada. Além de quebrar objetos, abrir baús e cortar a magia que aprisiona o mar, ela também é usada como meio de locomoção no vasto mundo semiaberto.
A espada funciona como um híbrido de skate, prancha de surfe e snowboard, permitindo deslizar por dunas de areia, montanhas de gelo, ruínas antigas e até pelo mar, conforme o libertamos. A gameplay incentiva o jogador a alcançar velocidades insanas, realizar manobras no estilo Tony Hawk, saltar obstáculos e rampas, andar em paredes e muito mais. Tudo isso se conecta de forma natural à resolução de puzzles, pensada com cuidado pelos desenvolvedores.

Considerações Finais
Não é por acaso que Sword of the Sea está entre os jogos mais bem avaliados de 2025, alcançando nota 89 no Metacritic. Sua proposta aposta na simplicidade, combinando visuais cativantes, gameplay fluída, uma narrativa simples, mas eficaz e uma trilha sonora relaxante.
O resultado é uma verdadeira obra de arte, perfeita tanto para quem busca um jogo leve após um dia estressante, quanto para aqueles que querem se afastar de experiências complexas e pesadas.
Recomendo fortemente que deem uma chance ao jogo, não apenas por sua qualidade acima da média, mas também por ter sido lançado day one para assinantes da PS Plus Extra e Deluxe.
Minha nota final: 8.5/10
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Ramon
Hardt
Sou apaixonado por jogos desafiadores e jogos de luta, meu objetivo sempre é aproveitar ao máximo o que eu estou jogando
Um mergulho profundo no lado mais humano e melancólico do mutante mais feroz da Marvel.

Roteiro: Brian K. Vaughan
Arte: Eduardo Risso
Editora: Marvel / Panini (Brasil)
Gênero: Ação, Drama, Guerra
Em Wolverine: Logan, Brian K. Vaughan e Eduardo Risso entregam uma narrativa que mistura drama histórico e misticismo, explorando um lado mais introspectivo do carcaju. Longe das grandes batalhas contra mutantes e vilões conhecidos, aqui vemos um Logan mais humano, assombrado pelo passado e marcado por uma perda que moldou parte de sua identidade.
Sinopse
A história começa nos dias atuais, com a visão de um templo e a narração de Logan relembrando seu passado. Logo, somos transportados para 5 de agosto de 1945, madrugada, em uma base militar nas ilhas centrais japonesas. Logan e o Tenente Warren são prisioneiros de guerra. Entre provocações, troca de senhas e cutucadas sobre Pearl Harbor, os dois revelam como foram parar em uma instalação científica japonesa.
Os guardas os chamam de “kaijus” — apelido que ganha sentido rapidamente quando a dupla consegue escapar. É durante essa fuga que conhecem Atsuko, uma figura misteriosa que desperta tensões. Enquanto Warren exibe seu desequilíbrio e preconceitos em meio ao caos da guerra, Logan escolhe se opor ao companheiro americano, seguindo um caminho diferente.
A narrativa alterna entre o passado, em plena Segunda Guerra Mundial, e o presente, com Logan enfrentando uma entidade sobrenatural ligada àqueles eventos. A batalha no templo é mais do que física: é um acerto de contas com um inimigo que provou ser mais forte do que ele e que, naquele 6 de agosto de 1945, o marcou para sempre com a primeira grande perda de sua vida.

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Análise
O que funciona bem:
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O contraste entre o jovem Logan e o homem que ele se tornou.
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A mistura de guerra, drama e misticismo, fugindo do comum das HQs de super-herói.
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Arte de Eduardo Risso, com uso pesado de sombras e enquadramentos cinematográficos.
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Tom melancólico que combina perfeitamente com o tema de perda e memória.
O que pode não agradar a todos:
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Ritmo mais lento e contemplativo, que pode frustrar quem espera ação constante.
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Foco limitado a poucos personagens, deixando de lado o universo Marvel mais amplo.
Conclusão
Wolverine: Logan não é uma história sobre garras, mas sobre cicatrizes. Vaughan entrega uma narrativa intimista que mostra como certos fantasmas do passado nunca desaparecem, e Risso transforma cada página em um quadro de cinema. É um daqueles quadrinhos que não precisa de batalhas épicas para ser marcante — basta um homem, seu passado e uma guerra que ele nunca venceu de verdade.
CLASSIFICAÇÃO
⭐⭐⭐⭐
Um Logan vulnerável, mas ainda feroz — e talvez mais humano do que nunca.
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Emanoel Silva
Fantasma
Sou apaixonado por jogos com foco em exploração, e entusiasta do horror cósmico e fã declarado de universos como Warhammer — mas é o futuro sombrio e estilizado do cyberpunk que realmente me ganha.
Entre ação brutal, drama emocional e dilemas morais, os dois primeiros volumes mostram como Laura honra o nome de Wolverine enquanto constrói sua própria identidade.

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ALERTA DE SPOILER! Este conteúdo pode conter partes importantes da história! |
Nos dois primeiros encadernados da Novíssima Wolverine, acompanhamos histórias que mesclam ação intensa, dilemas morais e desenvolvimento pessoal, mantendo a essência feroz do personagem enquanto exploram novos tons narrativos.
Vol. 1 – As Quatro Irmãs

A trama começa com Laura assumindo o uniforme e a missão de Wolverine. Ao investigar uma denúncia anônima, ela impede um assassinato e descobre que a autora da tentativa é um clone seu. Convocada pelo diretor Chandler, da Alchemax Genética, Laura conhece outras três clones — todas vítimas de experimentos cruéis — e é convencida a recuperá-las após um atentado contra o laboratório.
O que parece uma missão de resgate logo se revela um jogo de manipulação: Chandler e o Capitão Mooney monitoram cada passo de Laura, chegando a contratar o Treinador (Taskmaster) para mantê-la sob controle. Entre combates brutais e segredos revelados, a protagonista enfrenta experimentos desumanos e uma rede de escravidão, unindo-se às clones sobreviventes para destruir a organização responsável.
O primeiro volume equilibra ação, emoção e construção de personagem, apresentando uma Laura dividida entre honrar o manto e entender quem é fora dele.
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Vol. 2 – Guerra Civil II

Após os eventos do volume anterior, Laura passa a viver com Gabby, uma das clones, que agora é praticamente parte da família. Enquanto tenta aprender a ser um bom exemplo, ela recebe a visita da Garota Esquilo, que pede ajuda para resgatar o “pai esquilo” de uma família — missão que rende momentos de humor e reflexão sobre vínculos afetivos, especialmente para Laura, que relembra seus primeiros dias na Mansão X e sua relação com Logan.
A narrativa então avança para uma situação insólita: a SHIELD apreende um baú misterioso com feromônios capazes de atrair o lendário dragão Fin Fang Foom. A diretora Maria Hill revela que o Velho Logan, vindo de outro universo, é um de seus agentes — e que ele acaba engolido pela criatura. Laura traça um plano ousado para resgatá-lo, enquanto lida com as tensões de uma previsão feita por Ulysses (o inumano que impulsiona os eventos da Guerra Civil II), envolvendo o destino de Gabby e do Velho Logan.
Esse segundo volume mantém o equilíbrio entre ação e humor, mas começa a plantar sementes de conflitos maiores e mais sombrios.
Análise Crítica
Pontos Fortes:
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Desenvolvimento consistente de Laura, explorando sua personalidade além da violência.
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Relação entre Laura e Gabby, que traz leveza e humanidade à trama.
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Boa integração de participações especiais (Garota Esquilo, Velho Logan) sem desviar o foco da protagonista.
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Arte clara, fluida e com ótima narrativa visual durante as cenas de ação.
Pontos a Melhorar:
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Algumas resoluções rápidas demais, especialmente em conflitos de alto risco.
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Dependência moderada do contexto da Guerra Civil II, o que pode confundir leitores totalmente novos no universo Marvel.
Conclusão
Os dois primeiros volumes da Novíssima Wolverine entregam um início sólido para Laura Kinney sob o manto de Wolverine. Combinando ação bem coreografada, momentos emocionantes e uma construção cuidadosa da protagonista, a série consegue respeitar o legado de Logan enquanto abre espaço para uma nova fase do personagem.
Para quem nunca leu nada da X-23, este é um bom ponto de partida — ainda melhor para quem aprecia histórias de super-heróis que equilibram brutalidade e coração.
CLASSIFICAÇÃO
⭐⭐⭐⭐
Ótima introdução, com potencial para histórias ainda mais impactantes nos volumes seguintes.
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Emanoel Silva
Fantasma
Sou apaixonado por jogos com foco em exploração, e entusiasta do horror cósmico e fã declarado de universos como Warhammer — mas é o futuro sombrio e estilizado do cyberpunk que realmente me ganha.
Uma experiência única onde a história, a música e a jogabilidade se entrelaçam em um retrato vivo da Máfia.

A Hangar 13 iniciou o conceito de The Old Country movida por uma paixão genuína pela Sicília — e essa paixão transborda em cada quadro. Como alguém que já percorreu o país várias vezes, escalou seu vulcão, explorou templos antigos, saboreou pizzas gigantes e se deixou encantar pela cultura local, posso afirmar: este jogo entrega um retrato fiel, belo e carregado de autenticidade para sustentar sua conhecida história de Máfia.
A Sicília e seu povo não são estáticos; eles evoluem ao longo dos anos em que a narrativa se desenrola. Talvez, mais do que qualquer personagem humano, a própria terra seja o maior e melhor personagem do jogo. Os desenvolvedores claramente fizeram sua lição de casa, absorvendo a essência da ilha em viagens e pesquisas, e o resultado é um mundo que respira e se transforma junto com a jornada de Enzo e sua entrada na família Torrisi.
Uma história de amor, poder e escolhas
Vestindo a pele de Enzo Favara, um jovem caruso que foi vendido pelo próprio pai a um minerador aos cinco anos de idade, somos lançados em uma história onde o destino se molda na dureza da vida e na doçura de sonhos proibidos. O acaso leva Enzo até o vinhedo de Don Torrisi e sua família — um lugar de trabalho árduo, mas também de encontros que mudam vidas.
É lá que ele conhece Isabella, a filha do Don. Uma conexão imediata nasce, mas o peso de sua baixa posição social mantém o amor à distância, como um vinho raro trancado a sete chaves. Determinado a provar seu valor, Enzo agarra cada chance de impressionar o Don, construindo alianças e conquistando respeito — passo a passo, sonhando com o dia em que seu caminho e o de Isabella possam se cruzar sem barreiras.
Mas essa estrada é pavimentada com sombras. Ao tentar proteger seus amigos e seguir os códigos que aprendeu, Enzo inevitavelmente é arrastado para o lado mais sombrio da história da Sicília, tornando-se parte daquilo que sempre rondou suas margens — a Máfia.

A narrativa, ainda que linear, carrega uma força dramática que prende, mesmo que veteranos do gênero consigam prever o rumo. E, no fundo, isso não importa: a força está nos personagens, nas cenas de ação, nos laços testados, no duelo entre amor e dever.
O melhor de tudo é que não é preciso conhecer nada dos jogos anteriores para se encantar. Os novatos mergulham de cabeça, enquanto os veteranos encontram rostos, lugares e nomes familiares espalhados como pequenos brindes escondidos. Cutscenes impecáveis, atuações afiadas e uma trilha sonora que sabe a hora de acalmar e a hora de pulsar elevam o jogo a um novo patamar, marcando Mafia: The Old Country como um capítulo memorável da série.
Os sons da velha Sicília
Logo nos primeiros instantes em Mafia: The Old Country, antes mesmo de empunhar uma arma ou trocar uma palavra, algo se destaca e prende sua atenção: o som. Desde o menu principal até as primeiras horas de jogo, fica claro que a qualidade do áudio e da música foi tratada com um cuidado quase artesanal.
Assim que os créditos iniciais começam a rolar, somos recebidos com uma introdução digna de uma grande série de TV, envolta em uma trilha sonora deslumbrante. E a partir dali, cada passo por terras sicilianas ganha companhia: melodias que acariciam, aquecem e, quando preciso, inflamam o coração.
Do tema principal marcante, que já carrega o peso e a elegância da narrativa, aos arranjos épicos de combate e cavalgada, passando por músicas de viagem luxuosas que parecem pintar o horizonte com notas, a trilha se torna um personagem vivo. Ela não apenas acompanha — ela guia, respira e sente junto com você.
No fim, Mafia: The Old Country não é apenas visto ou jogado; ele é também ouvido e sentido, tornando sua jornada pela Sicília uma experiência que ecoa muito além da tela.
Absolute cinema
Se Mafia: Definitive Edition já havia mostrado um vislumbre do que as cutscenes poderiam alcançar, The Old Country eleva esse padrão a um nível quase cinematográfico. Aqui, cada cena é tratada como uma obra de arte visual, com um cuidado que transforma até as interações mais simples em momentos memoráveis.
Das pequenas disputas e esquemas sorrateiros para ganhar dinheiro até os grandes confrontos e reuniões carregadas de tensão, cada corte de câmera, cada iluminação e cada movimento são meticulosamente pensados. As expressões faciais capturam nuances emocionais com uma precisão quase desconcertante, revelando não apenas o que o personagem diz, mas o que sente.
É possível notar cada fibra do tecido nas roupas, o brilho do suor em um momento de nervosismo, o olhar calculista antes de uma decisão. Tudo isso constrói não só uma estética elegante, mas uma sensação de imersão que faz você esquecer que está diante de um jogo. The Old Country é, visualmente, um desfile de pessoas elegantemente vestidas em um mundo que transpira estilo e autenticidade.
A Sicília em The Old Country não é apenas cenário — é um personagem à parte, tratado com um cuidado que transparece em cada detalhe. Templos imponentes, cidades mineiras cheias de vida, vinhedos banhados pelo sol, igrejas históricas e inúmeros outros lugares compõem um retrato rico e autêntico da ilha no início dos anos 1900, revelando como a Máfia e o povo estão profundamente enraizados em sua cultura e história.
Cada detalhe em Mafia: The Old Country foi cuidadosamente esculpido — carros, cavalos, armas, roupas, prédios e personagens exibem um nível de riqueza visual que encanta os olhos de quem ama o mundo aberto. Para os fãs da exploração livre, o jogo permite que você possa desfrutar de um modo onde você pode se perder pelo cenário no seu próprio ritmo, coletando itens perdidos e curtindo um passeio tranquilo pelo campo, longe dos enredos complexos.

Esse passeio pelo mundo não se torna entediante ou repetitivo. Com a recente invenção do automóvel e os corcéis familiares, você tem total controle para se deslocar por toda a Sicília, com uma variedade enorme de modelos de carros, raças de cavalos e opções de personalização — desde pinturas para veículos até acessórios para seu fiel companheiro de quatro patas. São tantas opções que sua carteira vai sentir o peso da escolha... mas o melhor de tudo é que você pode até acariciar seu cavalo, um detalhe simples que traz vida e conexão à jornada.
E falando em personalização, o próprio Enzo é uma tela em branco para você pintar do seu jeito. Conforme a história avança, trajes variados, penteados, barbas, chapéus e muito mais vão sendo desbloqueados. De camisas com suspensórios a coletes, ternos completos e chapéus estilosos. As possibilidades para criar seu Enzo ideal são vastas, permitindo que você viva a história de um jeito só seu.
Nem tudo é tão belo no antigo mundo
A iluminação e os modelos de cenário são de um realismo impressionante, mas, no Xbox Series S, algumas texturas deixam a desejar, surgindo em baixa resolução. Não é algo que comprometa a experiência, mas chama atenção, especialmente porque já vimos outros jogos deslumbrantes no mesmo console com menos problemas desse tipo.
Mesmo após o patch de lançamento, há pequenas inconsistências em cutscenes, especialmente em closes ou quando personagens estão muito próximos da câmera. Em um momento específico, o jogo chegou a travar e me levar de volta à dashboard do Xbox, possivelmente por uma sobrecarga na cena. Felizmente, ao reiniciar, o problema não se repetiu.
Apesar disso, a performance se mantém sólida em 30fps durante toda a jornada. Existe um modo para desativar a sincronização vertical, mas ele pode causar screen tearing — e, nesse caso, é melhor optar pela estabilidade do que por uma taxa de quadros oscilante. Mesmo com essas pequenas falhas técnicas, o brilho e o peso da experiência permanecem intactos, entregando uma aventura que ainda impressiona do início ao fim.

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Prazer em jogar
Em termos de jogabilidade, The Old Country mostra que não se apoia apenas na narrativa para brilhar. Comparado a Mafia: Definitive Edition, há melhorias claras e perceptíveis. O tiroteio está mais fluido e impactante do que nunca, com cada disparo transmitindo peso e precisão. Cobrir-se atrás de objetos e pular obstáculos agora é mais ágil e responsivo, enquanto a variedade de armas impressiona — com novas adições sendo desbloqueadas ao longo dos anos retratados na história. Seja dirigindo carros ou cavalgando por campos abertos, a sensação é natural e o som é tão rico que chega a transportar o jogador para dentro da cena.
A mecânica furtiva também foi bem trabalhada. Existe um detalhe curioso: quedas sem luvas exigem mais esforço, sendo necessário pressionar botões de forma mais intensa para concluí-las. Mas há sempre a alternativa de eliminar silenciosamente com uma faca, evitando o esforço — embora isso reduza a durabilidade da lâmina. Essa durabilidade também se perde ao arrombar fechaduras ou realizar eliminações furtivas, tornando a arma “cega”. Felizmente, é possível restaurá-la com uma pedra de amolar, devolvendo seu fio e letalidade. Para completar, o jogo permite criar distrações jogando garrafas ou até uma moeda, acrescentando mais possibilidades para quem prefere agir nas sombras.

O combate corpo a corpo é outra carta na manga de The Old Country, trazendo uma boa variedade de animações e finalizações para quem prefere a letalidade da lâmina. No submundo siciliano, não há espaço para brigas de punhos limpos — aqui, a faca é rainha, e cada golpe carrega o peso da sobrevivência.
Em momentos-chave da história, o jogo presenteia o jogador com duelos de facas contra inimigos notáveis. Apesar de parecerem estranhos nas prévias, na prática eles se mostram cinematográficos, divertidos e perfeitamente dosados para não quebrar o ritmo da narrativa. Esses confrontos não são apenas um espetáculo visual; exigem tática e precisão, pedindo do jogador esquivas, defesas, bloqueios, quebras de guarda, ataques indefensáveis e muito mais.
Essas habilidades não surgem do nada: são ensinadas por um mentor que toma Enzo sob sua tutela, moldando-o não apenas como um lutador, mas como alguém preparado para sobreviver no jogo de poder que é a Máfia. Sem exagero, a luta de facas se torna um dos grandes destaques da experiência, somando peso e intensidade à jornada.
Considerações finais
Para encerrar, Mafia: The Old Country é uma experiência simplesmente sublime que conquistou meu coração logo de cara. Independentemente da sua familiaridade com a franquia, o jogo funciona simultaneamente como uma prequela, uma sequência e um título independente, conseguindo o equilíbrio perfeito entre esses três papéis.
Com o maior investimento em produção já visto na série, é notório que a Hangar 13 claramente não poupou esforços para contar essa história profunda da Sicília. Então, se esse é o padrão para um jogo considerado “menor” pela desenvolvedora, fico na expectativa e empolgado para saber o que vão preparar para o futuro da franquia.

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Marcos Paulo I. Oliveira
MPIlhaOliveira
Mafia: The Old Country é uma experiência fantástica. Espere ver um jogo com bons gráficos, trilha sonora excepcional e uma história com narrativa impecável. Ainda assim, bugs chatos, crashes e performance mediana atrapalham a jogatina.

A franquia Mafia nunca foi unânime para mim. Confesso que comecei pelo terceiro jogo da franquia em meados de 2017, 2018. Tentei jogar o 2 nessa mesma época no PlayStation 3 e não clicou. Só no ano passado, jogando o remake do primeiro e a remasterização do segundo, a franquia principal finalmente acabou achando seu espaço em meu coração. É impossível, mesmo com suas peculiaridades, não gostar dos personagens, da história e do gunplay simples aplicado nos jogos. Sim, o terceiro jogo divide a base de fãs e com certa razão, mas Mafia sempre teve espaço no mercado. E, continuando esse legado, Mafia: The Old Country é uma grata surpresa, funcionando como uma história anterior à franquia numerada. A ambientação na Sicília de 1900, os personagens e sua narrativa envolvente denotam que a Hangar 13 aprendeu com alguns erros do passado e achou o tom para tornar a franquia um produto mais consistente.
História
Você controla Enzo Favara. Carusu, como o chamam a todo momento, é o termo que os sicilianos usavam para os jovens mineiros na época. Vemos como um mineiro vendido como escravo pelo próprio pai acaba se vendo conectado à máfia pela família Torrisi e os desdobramentos de suas ações. Espere reviravoltas, intrigas e até aquela sensação única que só filmes de mafiosos tão queridos por nós nas últimas décadas podem causar. A história é o fio condutor do jogador. Bem construída, poderosa e até impactante nos trechos finais, arrisco dizer que é a com maior carga emocional da série. O final vai dividir a comunidade, mas ainda assim os personagens são interessantes a ponto de deixarmos essas diferenças de lado e simplesmente apreciar o trabalho dos escritores.

Gráficos e Ambientação
Com seus altos e baixos, os gráficos ainda assim são bonitos, mas problemas como resolução e FPS variável atrapalham um pouco o vislumbre da Sicília do século XX. Glitches gráficos como texturas em carregamento também incomodam e, acredite, acontecem muito. Ainda que esses problemas sejam abordados na parte técnica, é notável dizer que eles atrapalham a imersão do jogador. Ambientes internos são deslumbrantes e pequenos detalhes, como os tiros destruindo potes e coberturas, são bem imersivos. Em ambientação, não há o que reclamar. Ouso dizer que é o jogo definitivo sobre o início da lenda das máfias. Uma Sicília belíssima e familiar foi representada, e restam apenas elogios aos desenvolvedores. O carinho com armas de época, com modelos fiéis às suas contrapartes, e a fidelidade de carros mostrados no jogo me surpreenderam demais, sendo ponto alto desse segmento com toda certeza.
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Som / Música
Impecáveis. A trilha sonora agrada e brilha em momentos de calmaria ou tensão, e preciso comentar o trabalho da Hangar 13 nas vozes de capangas e do povo siciliano. Logicamente, o áudio original é aquele inglês carregado ítalo-americano, mas ainda assim achei completamente imersivo. Capangas no meio de um tiroteio gritando aos outros sobre o que vão fazer ou ameaçando irem ao seu encontro, a cidade e os portos vivos e a mansão sempre cheia de pessoas mostram a competência da Hangar 13 na obra. Muito carinho envolvido, de fato.

Jogabilidade
Funcional, mas com um problema de costume no que tange ao mapeamento de botões. Acho completamente cansativo o fato do botão de coleta de itens ser o mesmo que o de troca de armas, gerando confusão em trechos de ação. Trocar uma escopeta por um rifle sem querer, porque o botão serve para coleta de munição e itens de cura também, enquanto um capanga com uma calibre 12 se aproxima, é incrivelmente cansativo quando acontece mais de uma vez. O botão contextual de interação em portas e personagens relevantes ser apertar e segurar também gera problemas, e não é incomum termos de acertar o ângulo para a mecânica fluir. O mapeamento de armas pelo botão L1 ou LT junto a um botão de ação contextual também demora a criar familiaridade e é uma ação que acaba sendo evitada ao máximo. No mais, controles de direção de veículos, cobertura e os gatilhos para mirar e atirar funcionam bem. Os combates de faca são uma mecânica que, ao meu ver, agrega bem à obra, e os trechos de ação, sejam guiados ou não, são excelentes mesmo com esses pormenores. O stealth funciona, e não me vi preso em nenhum trecho em particular, mesmo nos mais difíceis do jogo. Gostei também das contas de rosário e das builds que você pode construir, ainda que limitadas, com foco em stealth, vida ou proficiência com armas e confesso que me diverti muito explorando o mundo caçando combinações ou juntando dinheiro para obtê-las na loja. A decisão dos salvamentos automáticos, sem opção do jogador salvar manualmente, atrapalha em missões furtivas ou mais demoradas. Recomendo muito que as empresas revejam essa atitude em seus jogos.

Parte Técnica
Mafia: The Old Country é um jogo que vem com um preço abaixo do mercado. A equipe salientou que, por ser um jogo com foco em narrativa e com um escopo menos ambicioso, a escolha pelos 50 dólares ao invés de cobrar o padrão de 70 dólares agradou muito aos jogadores. Dito isso, mesmo com esse contexto, o jogo ainda derrapa e precisa de polimento. Pop-ins e carregamento de texturas são frequentes, feições de personagens falando sem mexer os lábios e bugs menores atrapalham um pouco a experiência. Eles variam de inimigos ficando parados do nada a Enzo travando em algum ponto no modo exploração. No capítulo 5, uma interação com um motorista não aconteceu da maneira certa e tive de reiniciar o checkpoint. Outro bug curioso: a prefeitura aberta com um coletável aparentemente acessível, e quando vou explorar para adquiri-lo (sim, o prédio estava com portas abertas), caio em buracos invisíveis e meu personagem morre. Uma peculiaridade é que coletáveis exclusivos de missões têm uma cor amarelada e, aqui, o ícone não indicou isso para mim. O jogo também funciona como um sandbox, termo usado para mundos abertos exploráveis, embora o foco sejam as missões de história. Ainda que minha experiência tenha sido agradável, acho que pelo preço cobrado, uma experiência mais polida seria o mínimo.
Mafia: The Old Country cumpre o que promete: um jogo de ação e aventura competente, ambientado numa época charmosa que até então eu não vi sendo contada em um videogame. Em jogos de máfia, é comum usar o cenário americano e as décadas de 20 até 60. Aqui, a preferência pela Sicília de 1900 é um acerto fantástico. Os personagens são muito bem interpretados, e é impossível não se afeiçoar a Enzo e até a personagens secundários como Luca e Isabella. As referências a jogos anteriores, as mecânicas simples mas funcionais, e aquele gunplay característico vão te fisgar pelas 12 horas de campanha, mesmo com todos os probleminhas citados. E lembrando que eles serão corrigidos em patches nos próximos dias. Recomendo que você aguarde uma promoção ou espere o próximo trabalho de correções.

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